Destaques

“Acredito nos homens que aqui se comprometem a fazer do Departamento um adulto universitário e da Instituição uma referência para os sonhadores e um orgulho para os pósteros.

(..) Não tenho dúvida de que o nosso Departamento só será grande se os seus homens se recobrirem de grandezas na extensão, na pesquisa, no ensino, no exercício da tolerância e da convivência e no respeito mútuo à hierarquia de competência e às tradições geoeducacionais.”

Celebrando o Departamento de Cirurgia

Alcino Lázaro da Silva

A Reunião
Reunir é religar, é religião. Quando se re-liga, supera-se tudo o que nos deixa de mancheias com coisas que não valem mais. No passado o que ficou, no presente que se consubstancia, e no futuro que se sonha. O re-ligar faz esse mister. O de propiciar discussão, decisão, progresso e homenagear algo importante ou pessoas.

A Homenagem
Hoje, a sujeição entre os pares é para registrar o ocorrido no pretérito, mas que não pode ser esquecido. Olvidar jamais, porque faz parte de um fluxo ininterrupto de estudo, trabalho e
administração, no caso do Departamento. Hoje é dia de superar os problemas e criar-se um quadro que registra a seqüência de atividades.
O Quadro
O quadro registra mais uma fase do Departamento de Cirurgia, emoldurando uma imagem que recebe o nome de WALTER ANTÔNIO PEREIRA, que deu a sua parcela de colaboração
inestimável, juntamente com todos os funcionários e professores que militam no dia-a-dia da Faculdade. A moldura delimita o espaço físico, mas não controla o ardor, a fé, a dedicação que, uns mais que outros, devotam à causa do ensino e da pesquisa.
O Departamento
Esse estado de crença que se materializa no Departamento não foge à regra de ser uma casa que agasalha, que reúne, que re-liga e que cria condições de competição intelectual para aí se projetarem os mais astutos, mais ardorosos, mais crentes e mais competentes. É o Departamento. No Brasil, nasceu falido de uma reforma universitária mal planejada e afoita,
porque esta não lhe propiciou ser, ainda, o puro caminho do ensino, da pesquisa e da extensão. O Departamento ainda não amadureceu, porque alguma administração estéril das Universidades não penetrou no seu verdadeiro caminho que é o de congregar afins para a grandeza de ensino e o maior crescimento dos seus membros, com o mínimo para os acomodados e a liberdade de ação plena para os sonhadores e realizadores.
A Faculdade
Se todos os Departamentos fossem plenos e membros de uma causa comum e, diria, transcendente, a glória seria a ter-se uma Faculdade cujo eco ultrapassa suas salas e laboratórios e atinge os que nela convivem e se reproduzem em grandezas, fecundando homens que engrandecem Instituições.
Universidade
O que é universal é de todos e para todos. Por isto, não deve haver muros na Instituição, maior e mais nobre que o próprio Estado. Ela não se limita a áreas restritas, mas se reproduz em grandezas, fornecendo homens que próximos ou a distância fazem a Nação se afirmar e se  tornar o orgulho dos que nela militam e sonham, para uma sinfonia uníssona no concerto grandioso das nações.

O Homem
Acredito no homem que faz as Instituições. O contrário não é verdadeiro. A Instituição que promove o homem, despersonaliza-o e o deixa a sua mercê. Ele vale porque ela é grande. Ela
continua majestosa e o seu formador desaparece no tempo, pois não criou e se aproveita do que a Instituição lhe ofereceu. Ouve-se: “Pertenço ou venho da Universidade tal”, mas não se ouve, freqüentemente, “deixei na Universidade tal, uma colaboração, uma criação, uma inovação”. Com uma atividade docente autêntica, o homem se afirma e faz a sua Instituição crescer e florescer em novos frutos, porque os homens lhos ofereceram. Acredito nos homens que aqui se comprometem a fazer do Departamento um adulto universitário e da Instituição uma referência para os sonhadores e um orgulho para os pósteros.

Por isto, na sabedoria latina se lê: “A fructíbus eórum cognoscétis éos” (Pelos frutos conhecereis a boa árvore). Ou: “Crescit occulto vélut árbor aéro“ (Cresce insensivelmente com o tempo como uma árvore). Ou então: “Exire magnus e tugúrio vir pótest“ (De uma choupana pode sair um grande homem).
Usando dessa sabedoria, o fruto, a árvore e o homem, não tenho dúvida de que o nosso Departamento só será grande se os seus homens se recobrirem de grandezas na extensão, na
pesquisa, no ensino, no exercício da tolerância e da convivência e no respeito mútuo à hierarquia de competência e às tradições geoeducacionais.
Felizes festas e muito fervor na crença da espiritualidade.

Mensagem proferida pelo Professor Emérito Alcino Lázaro da Silva, por ocasião da reunião da Câmara Departamental do dia 03/12/2008.
Departamento de Cirurgia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais.